Você provavelmente já ouviu falar da economia colaborativa ou compartilhada. Ou talvez você já tenha usado um serviço ou produto desse moderno e promissor setor da economia, e nem se deu conta.
Esse tipo de economia tem dois propósitos: fazer o orçamento render e contribuir para um mundo melhor, a partir do uso racional de bens e serviços.
Economia colaborativa, consumo colaborativo ou economia compartilhada, é um conceito que compreende o acesso a bens e serviços através do compartilhamento, em vez da simples aquisição.
Em 2018, a venda de peças usadas em brechós movimentou 24 bilhões de dólares no mundo, e a previsão é de que esse número dobre até 2023, chegando a 51 bilhões de dólares, o que equivale a cerca de 204 bilhões de reais.
Quando avaliados os impactos totais da economia colaborativa, os resultados são ainda maiores: a prática passará a movimentar 335 bilhões de dólares em 2025, contra os 150 bilhões de dólares atuais.
A partir dessa nova percepção de mundo, surgiu o entendimento de que era necessária uma alternativa ao acúmulo de bens.
Ou seja, a economia colaborativa propõe não só um novo modelo de negócios, mas também uma maneira alternativa de se viver: com qualidade e sem desperdício.
Explicando melhor o que é economia colaborativa

É um conceito bem simples: pessoas passam a trocar produtos ou serviços ao invés de comprá-los de grandes corporações.
Na prática, a economia colaborativa inclui trocas de bens de consumo que vão desde furadeiras, calçados, passando por brinquedos, e chegando até mesmo a vestidos de festas.
Dessa forma, você reduz o gasto que teria, ajuda uma pessoa que fornece o serviço e cultiva o hábito do compartilhamento.
Pensar que nem toda compra precisa ser paga em dinheiro, e buscar empresas e profissionais que criam negócios com base na troca, já é um bom começo.
Observe em seu bairro ou comunidade em que mora se há pessoas que poderiam realizar o que você precisa em troca de um serviço que você possa oferecer.
Mudar os hábitos de consumo também é bastante importante. Estamos acostumados a comprar itens que pensamos precisar e que, às vezes, são utilizados em pouquíssimas oportunidades.
Como essa economia influencia minha vida?
A economia colaborativa se desdobra em 3 principais categorias, que possuem modelos de distribuição e remuneração diferentes.
1. Sistemas de compartilhamento de produtos e serviços
a) Vai viajar e precisa de um lugar para ficar, mas não quer pagar caro em um hotel ou sofrer com a burocracia para alugar uma casa? O Airbnb pode ser uma alternativa.
O anfitrião pode usar o dinheiro arrecadado para complementar o orçamento ou até arcar com as despesas do local.
O hóspede, por sua vez, tem a chance de encontrar estadia mais aconchegante por preços mais baixos e com mais opções de escolha.
b) E o que dizer do UBER? Os aplicativos de transporte privado urbano são um dos mais famosos modelos de economia colaborativa.
Basta instalar no seu celular, definir o seu destino, escolher a forma de pagamento e pronto. Em alguns instantes, o motorista estará na sua porta para fazer a sua corrida.
c) O WAZE é outro aplicativo de mobilidade urbana, que é focado em traçar as melhores rotas pra o usuário se deslocar.
d) Agora existe o WAZE CARPOOL, que permite compartilhamento de caronas e cria uma rede que se propõe a diminuir o número de carros no trânsito.
e) A FREECYCLE é uma comunidade de consumo consciente que possibilita a doação de objetos usados. É possível desapegar de todo o tipo de itens, desde roupas até móveis.
f) COWORKING é uma forma de compartilhar o seu local de trabalho com outras pessoas, o que também é uma estratégia muito válida.
Além de ocupar um espaço que não vem sendo bem aproveitado dentro da sua área física, é uma ótima oportunidade de trocar ideias, conhecer pessoas e aumentar o seu networking.
g) A DOGHERO resolve o problema de quem vai viajar ou não quer deixar seu pet sozinho em casa.
Ela promove a confiança de seus usuários, pois oferece um sistema de pontuação que permite dar notas ao trabalho dos cuidadores.
h) Assim como peças de vestuário, brinquedos são, em sua maioria, descartados à medida que as crianças crescem.
Por isso, ALUGAR ou TROCAR esses itens são alternativas para economizar dinheiro e, principalmente, evitar o descarte.
2. Redistribuição de produtos
Esse é um modelo de consumo colaborativo baseado em produtos que são usados ou semi-novos, cujos donos querem repassar via vendas ou trocas para alguém.
Certamente você com já usou algum serviço nesses moldes, pois com certeza você já acessou o eBay ou o Mercado Livre.
Ainda temos o site Enjoei, no qual pessoas podem vender roupas que não utilizam mais.
Essa é considerada por muitos uma alternativa à reciclagem de produtos.
3. Estilos de vida colaborativos

Essa é a subcategoria mais ampla. Consiste no modelo de troca de bens mais intangíveis, como tempo e habilidades.
Você é muito bom em determinada área? Sabe realizar um tipo de atividade como ninguém? Por que não compartilhar essa habilidade com outras pessoas?
É exatamente esse o conceito do modelo de economia colaborativa: trocar o seu tempo e habilidades por uma recompensa ou gratificação monetária.
Para funcionar, é necessário conectar pessoas com interesses similares que queiram trocar aprendizados. Vamos supor que você toque guitarra e queira aprender espanhol.
Provavelmente, na sua cidade, há alguém que saiba espanhol e queira aprender guitarra. Então, para quê pagar por aulas se vocês podem trocar essas habilidades?
Pergunte-se: preciso mesmo comprar?
Antes de adquirir um produto, faça as perguntas abaixo, que podem te ajudar a entender se sua escolha é uma necessidade ou simplesmente um impulso.
1. Por que estou comprando?
A ideia desta questão é nos fazer refletir sobre as razões para fazer determinada compra.
Fazer uma lista reunindo prós e contras por trás de cada impulso de consumo é uma boa forma de entender até que ponto há a necessidade de adquirir determinado item.
2. O que irei comprar?
Uma vez que você entendeu o motivo pelo qual você está propenso a comprar algo, é hora de analisar as opções que estão disponíveis no mercado.
Pense na qualidade, no tempo de vida útil e no custo-benefício por trás das possibilidades de compra.
3. Como irei comprar?
A partir desta pergunta, alguns preceitos da economia colaborativa começam a aparecer, visto que surge a oportunidade de escolher se o pagamento será em dinheiro, por troca de serviços ou se é possível compartilhá-lo.
Além disso, deve-se levar em consideração a forma como o produto que foi adquirido será transportado até sua casa, por exemplo, usando sacos plásticos, sacolas, caixas, ou outras formas.
4. De quem irei comprar?
Analisar quem fabrica o que você irá comprar é fundamental para manter hábitos de consumo saudáveis e ligados com preceitos da economia colaborativa.
Neste ponto, é possível dar espaço para profissionais e organizações adeptos das filosofias do compartilhamento, como negócios sociais e cooperativas.
5. Como vou usar o que foi comprado?
Esta questão já está relacionada com a pós-compra e faz com que pensemos a dinâmica de vida útil do produto para evitar desperdícios e trocas frequentes.
Basicamente, ela surge com o intuito de que observemos os hábitos de uso para que não seja necessário “jogar fora” muito cedo, lembrando que, quando fazemos isso, estamos na verdade gerando resíduos.
6. Como descarto o que não uso mais?

A última questão por trás do consumo consciente e que se relaciona diretamente com a economia colaborativa visa fazer com que analisemos a forma de descarte.
Sabemos por exemplo, que um item sem utilidade pode ser ressignificado em outros contextos, seja passando pela reciclagem ou pela reutilização.
Assim, tomamos atitudes pensadas e fazemos a ligação entre economia colaborativa e cultura regenerativa.
Além de alterar a forma com que fazemos trocas e de nossos hábitos de consumo, existem outras possibilidades de aplicar o conceito na vida íntima.
Apoiar produtores e comerciantes locais é mais um exemplo de como a economia de compartilhamento pode ser expandida.
Quando você escolhe comprar do pequeno negócio, auxilia na manutenção dele e fomenta a estrutura da comunidade em que vive.
Fazendo isso, deixa de contribuir para o crescimento cada vez maior de marcas que nem sempre estão comprometidas com os mesmos valores que você.
Estimular financiamentos coletivos e projetos que movimentam as pessoas com objetivos comuns são outras maneiras de criar relações econômicas pautadas na colaboração.
E, claro, é preciso estudar o tema, aprofundar-se e compreender o assunto para praticá-lo com mais autoridade.
Isso é só o começo
A economia colaborativa chegou para ficar.
Trata-se de uma verdadeira forma de nos fazer repensar hábitos e adotar uma postura mais consciente de consumo.
Precisamos usar da inteligência coletiva para encontrar caminhos mais sustentáveis e tentar diminuir ao máximo os prejuízos que causamos ao planeta.
Equilíbrio é palavra-chave nesse sentido.
E você, já usou algum produto ou serviço da economia criativa? Já pensou em compartilhar seus bens ou habilidades? Conta pra gente!
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