Por que temos tanto medo de enfrentar as mudanças que ocorrem em nossas vidas?

Quando eu era jovem, e precisei mudar de escola, eu pensei: e agora? Como vai ser? E os meus amigos? E a minha professora querida?
É claro que naquela época, tudo tinha uma dimensão gigantesca e assustadora, mas de uma forma ou de outra, eu tive que me adaptar.
O dia da mudança chegou, e lá fui eu, cheia de incertezas e medos.
Mas quer saber? Apesar da saudade dos amigos antigos, fiz novos amigos e fui muito feliz nesse período.
Assim, eu te pergunto: afinal, mudar de casa, de cidade ou de colégio, é bom ou ruim? Porque sempre resistimos tanto em sair da “zona de conforto“????
Normalmente convivemos por muitos anos com os mesmos amigos, vizinhos, e criamos grandes laços afetivos, até que em um determinado momento, ficamos sabendo que precisamos nos mudar.
Pode ser de bairro, cidade, estado, mas a mudança é certa e uma hora ela vai ocorrer…
E aí bate uma incerteza: como vai ser dali para frente? Como serão as novas pessoas, o novo bairro ou a nova casa? Enfim, como será a nova vida?
Os adolescentes normalmente são os que mais sofrem.
Eles ficam revoltados, recusam-se a falar de mudança e chegam a fazer chantagem, ameaçando fugir de casa.
Outros caem em tristeza profunda, e começam a sofrer a separação, com meses de antecedência.
Para os filhos, virar as costas para amigos, vizinhos, e até mesmo para a casa onde podem ter crescido, é muito doloroso.
A mudança nesse caso pode ser assustadora ou mesmo traumática. Por isso mesmo, conversar muito com as crianças e adolescentes nesse caso, é imprescindível.
Para os pais, a mudança é aparentemente mais fácil, porque na grande maioria das vezes, ela está relacionada a oportunidades profissionais ou necessidades de ordem pessoal.
Mas todos nós, mesmo sem percebermos, estamos mudando o tempo todo.
Não é raro, olharmos para trás e pensarmos: como usei esse tipo de roupa? Como gostava desse tipo de cabelo? Como eu podia andar com esse tipo de pessoas?
Na maioria das vezes, nem sentimos que estamos diferentes.
A diferença entre essa mudança, e a da casa ou de escola, é que normalmente a de escola, acontece de forma mais repentina, e nos pega totalmente desprevenidos.
Mas apesar disso, ela é bem parecida com aquelas mudanças pelas quais todos nós passamos, porque também representam uma nova etapa em nossa vida.
E também, como os jovens, temos receios e dúvidas, mas temos que enfrentar de forma mais madura que eles.
A cada etapa de nossas vidas, vamos tendo valores diferentes nos quais acreditamos, o que faz com que nossa personalidade e comportamento, mudem no decorrer do tempo.

É claro que isso depende muito da atitude que adotamos: se nós nos permitirmos viver as possibilidades que as novas pessoas e os novos lugares nos proporcionam, elas podem ser muito positivas e revelar agradáveis surpresas.
Mas tudo será muito mais difícil, se nos fecharmos em nossa insatisfação e ficarmos nos apegando ao passado, sem darmos chance para o presente e para o novo.
Ao invés de sair perdendo com a mudança, saía ganhando.
Talvez essa seja a melhor parte: deixamos para trás muitas coisas, mas também sabermos levar conosco uma porção delas.
E a parte que levamos, vai ser importante para a nova vida que vai começar, pois faz parte da nossa história, faz parte de nós mesmos, aonde quer que a gente vá.
E as boas histórias são assim mesmo, cheias de mudanças de enredo, que servem para enriquecer a vida dos personagens. Então, será que mudar é tão ruim assim?
Que tal dar uma chance para as novas possibilidades de mudança que aparecem na sua vida?
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